bricabraque


Sem saída
9 de Maio de 2012, 15:41
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Sonhei com ela, voando.

Vi sua silhueta tapando parte da lua,

                                    [tal eclipse.

Aterrissou na minha janela:

– Você pode voar comigo?

– Já estou voando.

– Você pode apunhalar o seu coração

                                        [por mim? 

– Já apunhalei.

– Quer dizer, então, que você é capaz

                          [de morrer por mim?

– Já morri.

                              *   *   * 

Veja bem, quando o amor chega à sua porta,

                                          [não tem saída:

– Se correr ele te pega; se ficar ele te come.

Vicente Freitas



Tatuagem
12 de Abril de 2012, 12:49
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Mil e uma maneiras para ler,
uma delas, nos livros;
outra, nos desenhos tatuados,
na alma das piriguetes:
meninas que dançam e trepam
sob os lençóis, sob o luar.

Enquanto o tesão arde,
em suas vísceras,
escrevo um livro chamado
amor livre, desamor, sexo flex.

Entre elas – o mundo, o orgasmo
se repete, diante do abismo.

Enquanto eu escrevo este poema,
com a língua, cunilíngua,
– estranho verso.
 

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Cumplicidade
10 de Abril de 2012, 11:38
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Apaixonados,
febre feroz, vontade de armar,
amarrar as línguas, o sexo,
dois corpos num nó.

Idas e vindas,
o prazer da eternidade efêmera…
o orgasmo proibido

– explodir na cama, feito estrela.

Vicente Freitas
 
 
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Baratas
4 de Abril de 2012, 12:41
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Versos escritos na poeira,
Numa furna escura,
Para as baratas
Solitárias, sem sangue,
Escondidas, que nem ratos,
Que nem criminosos pobres,
Desde tempos imemoriais…
Bem antes dos Dinossauros,
Baratossauros.

– Quem já as viu não as amou.

Traduzo a tristeza das baratas,
Alguma sombra de compaixão
Pelos animais, os insetos.

Meus pobres versos corroídos
Pois que fiquem esquecidos
Onde as baratas os atirou.

– A barata e eu, os excluídos.

 

Vicente Freitas

Juan Miró, The malancholic singer

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Um poeta diante da sua musa
3 de Abril de 2012, 9:59
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Alma cheia de sonhos,
Supostos mistérios,
Flash de sombras; luz?
Sinto, no teu olhar aquém do meu,
Mil e uma divagações possíveis.

A lua, no céu de bronze,
A lua é ruiva, em teu cabelo,
Não, simplesmente, satélite.

E eu aqui, um poeta diante da sua musa,
Consigo, em silêncio,
Viver e jurar amor,
Mesmo que, de repente, um cataclismo
Balance o meu coração…

E, num retrospecto anunciado,
Que venha a aurora…

– Amanhecer; amanheceu.

Vicente Freitas

Il Yous Aime, c’Est un SecretArt, D. Graux
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Brigitte
30 de Março de 2012, 16:33
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Tua beleza é misteriosa…
De onde ela vem?
Tua tristeza é misteriosa…
E eu sinto, agora:
Tua beleza é tua tristeza;
Tua tristeza é tua beleza.

Olhos negros, pele de chocolate.
Mulata, negra, morena –
Dengosa, formosa, voluptuosa.

Um mistério, eu não entendo;
Um desejo, eu não entendo.
E, por essas razões,
Minha vontade é criar, sentir
Que tu existes…
Reinventar o que nunca meus olhos viram:

– Tua beleza, Brigitte.

Vicente Freitas

 

Nude Sdraiato, Amedeo Modigliane.Imagem



Devaneio
28 de Março de 2012, 12:08
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Por trás do chumbo das nuvens,
Redonda e cheia, a lua – se esconde.
Estrelas distantes não sabem da lua,
Não sabem de mim,
Não sabem de ti…
 
Não sabem da pequena Terra,
Esquecido mundo,
Pai e mãe da tua beleza.
 
Não sabem dos teus lábios.
Tua volúpia, teu sexo…
Dos teus olhos azuis, lágrimas da terra,
Das paixões tempestuosas,
Nem dos dramas que encerram.
 
E eu, agora, aquém do teu corpo,
Tuas curvas e voltas,
Comtemplando a lua pálida, no céu…
Fico inquieto,
Porque – só na Terra – tua beleza.
 
Vicente Freitas


Amor Virtual
20 de Março de 2012, 15:49
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Escrevo estes versos pra ti
Como quem faz um filho.
Eu sou tua alma gêmea
E tu, querida, és minha flor.

Por ti eu vivo, eu morro,
Minha fada, mimo, mulher,
És minha estrela, minha lua,
E eu serei tudo o que quiseres.

Esse amor que nos toca
numa explosão de energia
Há quilômetros de distância:
És tu que vens,
Nas nuvens, no ar,
sobre; sob sol e chuva.

Sinto teu corpo, tua pele
– Faço de ti minha musa –
Toco teus seios, sonho e…

– Sou real, verdadeiro.

Vicente Freitas

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Insônia
15 de Março de 2012, 17:02
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Estive pensando em você, esta noite,
enquanto rolava na cama, 
contemplando a lua, pela janela. 

A cama não tinha consciência disso,
a lua não tinha consciência disso,
você não tinha consciência disso…
Só eu, só eu, só eu…

Então escrevi esses versinhos
para fazê-la eterna, em minha poesia. 

— Ah, quem dera — esta noite — contigo.

Vicente Freitas



Sonhos
13 de Março de 2012, 18:32
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                                                                          O Sonho, Picasso

Eu sonhei…

…que você não me magoaria mais;

Eu sonhei…
…o amor cura todas as feridas; 

Eu sonhei…
…ninguém é dono do coração de ninguém;

Eu sonhei…
…a vida é bela, a poesia, mais ainda; 

Eu sonhei…
…não posso escolher por você;

Eu sonhei…
…quanto mais penso em você…
mais poemas consigo escrever;

Eu sonhei…
…que você me amava, tal qual amo você…

– Contudo, isso não altera os fatos.

Vicente Freitas




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